Passei anos fascinado pelas Cruzadas — Crusader Kings III, podcast Hardcore History, mergulho profundo nas crônicas árabes na Wikipédia, museus em Veneza. A maioria dos relatos ocidentais se concentra em cavaleiros e reis. Mas eu realmente queria saber: como era a vida para as pessoas que estavam sendo invadidas? Eis o que descobri. ----- O Roteiro da Invasão A guerra é apresentada como um dever sagrado, não como uma conquista. - Aos lutadores é prometido o perdão por pecados passados. Homens sem-terra veem uma oportunidade de obter títulos de propriedade. Um líder carismático consolida o poder canalizando o caos interno para o exterior. O país de origem tem muitos pobres ociosos; é mais fácil apontá-los para o inimigo do que empregá-los. - Rivalidades regionais, fracassos econômicos e violência doméstica são exportados para o exterior. O invasor ignora todas as estruturas políticas locais. - Nenhuma intenção real de negociar - apenas impor Civis são danos colaterais, não pessoas. - Um culto à grandeza perdida: "Já fomos um império" - Barbárie chocante surpreende até mesmo observadores aliados - O saque é o verdadeiro motor - a ideologia é a pintura. - As cadeias de abastecimento colapsam; homens famintos tornam-se mais brutais. Os soldados não sabem onde estão nem por que estão lutando. - Os invasores acreditam que os habitantes locais os receberão como libertadores. - O estupro é empregado sistematicamente Sítios culturais, bibliotecas e edifícios religiosos são destruídos deliberadamente. - Grupos mercenários cometem as piores atrocidades, dando ao exército oficial a possibilidade de negar envolvimento. Cidades simbólicas tornam-se obsessões, muito além do valor estratégico. — Entre os invadidos, surgem colaboradores; eles são lembrados para sempre. Os defensores, considerados inferiores, provam ser taticamente e moralmente superiores. - Voluntários estrangeiros chegam para ajudar na defesa - Os parceiros comerciais internacionais jogam em ambos os lados. Veteranos retornam para casa traumatizados e radicalizam a política interna. - Forma-se uma diáspora que jamais esquecerá A invasão funde uma população fragmentada em uma única identidade. Então percebi que não estava mais lendo sobre a Idade Média. Substitua "Papa" por "Putin". Substitua "libertar a Terra Santa" por "desnazificação". Substitua "Cristandade" por "Mundo Russo". Substitua "infiéis" por "nazistas". Substitua "Jerusalém" por "Kyiv". Substitua "estados cruzados" por "repúblicas populares". Substitua "Templários" por "Wagner". O roteiro não muda. Apenas os nomes. O padrão é o mesmo. ----- As invasões imperiais seguem a mesma lógica ao longo de mil anos. O agressor sempre acredita na sua própria mitologia. O lado que a recebe sempre sabe exatamente do que se trata. A Ucrânia, entre 2022 e 2025, é uma cruzada vista de outro ponto de vista – o primeiro país na fronteira a vivenciar a barbárie.
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